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  • 20 fev 2015
    Sem Fies, estudantes têm estudo ameaçado

    Sem Fies, estudantes têm estudo ameaçado

    O morador de Tanabi Renan Contrera de Paiva, 19 anos, não sabe se vai poder realizar o sonho de cursar a faculdade e se formar no ensino superior. Sem dinheiro para pagar as mensalidades, ele entre milhares de estudantes do País que ingressaram em faculdades particulares com a esperança de conseguir o benefício do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil", do Ministério da Educação. Com o programa, o beneficiado pode pagar a faculdade depois de formado.

    Geralmente, o período para cadastro era iniciado em janeiro. Neste ano, a programação está atrasada. O MEC garante que reabre o processo de solicitação para novos contratos na próxima segunda-feira. Mas isso não significa que o candidato já terá o benefício. O cadastro deve passar por uma avaliação e, só depois, o financiamento será ou não aprovado. Além disso, os candidatos têm só até o dia 30 de abril para solicitar o financiamento do curso.

    A demora no trâmite preocupa o estudante Renan, que dividiu a primeira mensalidade do curso de jornalismo em três vezes, no cartão de crédito. "Eu sei que o Fies costuma devolver o dinheiro depois, mas eu não sei se terei dinheiro para pagar a mensalidade do próximo mês. Se o Fies não sair logo, cogito a possibilidade de trancar a faculdade."
    Para não perder tempo, o estudante já separou toda a documentação necessária para fazer o cadastro. "Eles anunciaram que será segunda-feira. Espero que isso aconteça mesmo. Vou ficar ligado no site, para não perder a oportunidade", afirma o estudante, que paga R$ 485 de mensalidade na Unilago.

    Uma autônoma de 38 anos também está atenta ao Fies. Ela não quis ter a identidade revelada, pois o filho está no segundo ano do curso de medicina, na faculdade Barão de Mauá, e teme que ele seja prejudicado. "Nós estamos tentando o Fies desde o ano passado e não conseguimos ainda. O MEC faz a propaganda como se fosse a coisa mais fácil do mundo, mas não é. O sistema é falho e as faculdades se aproveitam disso."

    Ela paga R$ 5.943,00 de mensalidade. Além do gasto com moradia e transporte. "Eu tive que vender o meu carro e fazer um empréstimo no banco, para pagar as mensalidades. Se o Fies não sair logo, terei que vender o meu apartamento para manter o meu filho na faculdade." O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) afirma estar ciente do transtono provocado pelo fechamento do sistema e está tomando providências, mas limita-se a informar que a reabertura das inscrições acontece na segunda-feira. Para os estudantes que já pagaram alguma mensalidade e contratarem o Fies no decorrer no semestre, a instituição de ensino deverá ressarcir aofinanciado o valor referente aos repasses recebidos de parcelas da semestralidade já pagas.

    Atraso gera insegurança e cheira a traição


    O atraso na liberação do sistema on-line para que milhares de estudantes matriculados no ensino superior façam inscrição como candidatos a obter o Financiamento Estudantil (Fies) alimenta um clima generalizado de desconfiança. Mais do que isso: trata-se de uma traição a quem acreditou na propaganda do governo, que nos últimos anos fez muita publicidade do financiamento, encorajando pais sobre as facilidades dessa suposta maravilha.

    É uma afronta o Ministério da Educação sugerir que as famílias banquem as mensalidades dos cursos do próprio bolso para que depois sejam, ressarcidos com o dinheiro de um financiamento não consolidado. Quem já bancou e já perdeu o fôlego financeiro corre o risco de ter de desistir e ainda ficar com o prejuízo. Porque acreditou na palavra do governo Dilma.

    Aliás, a inscrição no site do Fies não garante o financiamento, que depois ainda precisa ser consolidado nas agências bancárias da Caixa Federal ou do Banco do Brasil e nas instituições de ensino. Mediante, claro, apresentação de fiador. Está faltando seriedade e sobrando desfaçatez na "pátria educadora", que também está atrasando o dinheiro do famigerado Pronatec.

    Fonte: Diario WEB

     

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