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  • 17 set 2014
    Técnicas de estrutura da narrativa

    Técnicas de estrutura da narrativa

    Quando pensamos na narrativa, costumamos associar o nome aos tipos textuais envolvidos na elaboração de uma redação. Na escola, esse é o primeiro tipo de texto ao qual somos expostos, seja através dos contos de fadas ou através das clássicas fábulas. Contar uma história, respeitando a sucessão cronológica dos eventos, costuma ser muito fácil e, por isso, tornou-se a técnica mais empregada e difundida.

    O texto narrativo é comumente dividido em três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão, explorando elementos como tempo, lugar, personagens e diversas circunstâncias que levam ao clímax da história. Essa estrutura clássica não costuma ser alterada, contudo, existem técnicas de estrutura da narrativa que podem subverter a ordem com que esses elementos são dispostos. As narrativas lineares, aquelas que apresentam um enredo cronologicamente ordenado, são as mais comuns e também as que menos exigem comprometimento do leitor. Os fatos, narrados de maneira sucessiva, sem intromissão de digressões e flashbacks, são mais facilmente assimilados e evitam que o leitor menos audaz perca o chamado "fio da meada".

    Na Literatura brasileira encontramos diversos exemplos de escritores que ousaram subverter as narrativas lineares, apresentando aos leitores novas formas de se contar uma história. Nessas histórias, novas técnicas de estrutura da narrativa foram exploradas, provando que nem sempre é preciso respeitar a cronologia dos fatos. Observe alguns exemplos de técnicas de estrutura da narrativa em clássicos de nossa Literatura:

    A narrativa não linear

    Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis: O clássico de Machado de Assis prova que é possível transgredir a estrutura da narrativa sem qualquer tipo de prejuízo. Seu narrador personagem, Brás Cubas, conta sua vida depois de morto, sendo, como bem definiu nosso gênio maior da Literatura brasileira, um "defunto-autor".

    O contraponto dramático

    Influenciado pelas técnicas narrativas desenvolvidas pelo romancista inglês Aldous Huxley, Érico Veríssimo escreveu, nos anos 1940, o romance O resto é silêncio, no qual conta a história de diferentes personagens, sob diferentes perspectivas, através da técnica do contraponto dramático. Essa técnica possibilita a ligação entre as trajetórias dos diferentes personagens da trama, oferecendo ao leitor um texto esteticamente diferenciado.

    Narrativa em paralelo

    Vidas secas, de Graciliano Ramos, é considerado uma novela literária. Graciliano adotou a chamada narrativa em paralelo, técnica que requer a existência de dois ou mais pontos de vista, com episódios que são contados sucessivamente. Mas para que o leitor ou o telespectador (as novelas literárias deram origem às telenovelas) não se perca diante de fatos simultâneos, é necessário que os núcleos de personagens sejam reduzidos e que suas ações sejam constantemente relembradas nos diálogos. Há também um segundo tipo de narrativa paralela que desenvolve dois eixos temporais, alternando entre o passado e o presente de um grupo de personagens.

    Fonte: Brasil Escola

     

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