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  • 18 mar 2015
    Após Stanford, estudante do Capão Redondo, em SP, é aprovado no MIT

    Após Stanford, estudante do Capão Redondo, em SP, é aprovado no MIT

    O estudante Gustavo Torres da Silva, de 17 anos, já havia sido selecionado em dezembro em uma das mais renomadas universidades do mundo, a Universidade Stanford, nos Estados Unidos, para cursar engenharia física. Neste fim de semana, o jovem morador do Capão Redondo, bairro da periferia na Zona Sul de São Paulo, recebeu a resposta do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) que aceitou a sua aplicação. Gustavo ainda não decidiu em qual universidade norte-americana vai estudar. Ele pretende fazer engenharia elétrica e computação.

    "MIT era um sonho antigo, desde quando soube da história de outro estudante aceito na universidade em 2010 (Marco Antonio Pedroso). Mas depois que conheci melhor outras faculdades que também podem se adequar ao meu perfil, achei melhor esperar todos os resultados antes de tomar a decisão", explica.

    O jovem espera até o fim do mês as respostas dos pedidos para estudar em Harvard, Universidade da Pensilvânia, Duke e outras cinco instituições de ensino superior norte-americanas. Ele tem até o dia 1º de maio para dar sua resposta ao MIT, mas o instituto já o convidou para conhecer a faculdade em abril. Além de Gustavo, outros três estudantes brasileiros foram aceitos pelo instituto.

    Inspiração
    O G1 destacou a história de Gustavo em dezembro. A dedicação do morador do Capão Redondo bairro da periferia na Zona Sul de São Paulo, um lugar mais conhecido pelos altos índices de criminalidade e falta de oportunidades, inspirou muita gente.

    "Recebi mensagens de gente de todo país. Muitos disseram que aquela notícia de alguma forma impactou a vida deles. Alguns com o sonho de fazer medicina, outros de passar no Enem, outros de estudar fora do país. Todo sonho é possível", diz.

    "Sou um cara normal vindo da periferia. Consegui chegar em uma coisa grande. É uma sensação boa saber que não é uma conquista só para mim, muita gente está se inspirando nisso."

    De Capão para o mundo
    Gustavo sempre acreditou que a educação é o melhor caminho para se ir cada vez mais longe. Filho único de uma cuidadora de idosos e de um técnico em elétrica, Gustavo sempre gostou muito de estudar e de entender o funcionamento dos aparelhos eletrônicos que o pai trazia para casa. "Ele adorava desmontar tudo e montar de novo", diz o pai, Adalberto Claro.

    O menino era aluno da Escola Estadual Miguel Munhoz Filho. Depois de um bom desempenho dele em uma olimpíada de matemática, Gustavo ganhou a indicação da professora para disputar uma bolsa do Ismart, instituto que apoia estudantes talentosos de baixa renda, e oferece bolsas de estudo em colégios particulares de excelência de São Paulo e do Rio de Janeiro. "A gente identificava nele um aluno com potencial extraordinário, com muita vontade de crescer, sonho de grandeza", destaca Inês França, gerente de Projetos do Ismart.

    Durante todo o oitavo e nono anos do ensino fundamental, Gustavo ia para o Munhoz Filho à tarde e pela manhã fazia um curso preparatório do Colégio Santo Américo, uma escola particular na região do Morumbi, para se preparar para a transição da rede pública para a rede particular de ensino. "A diferença de ensino era grande, era muito mais puxado, acordava 5h chegava 18h em casa", conta.
    A partir do ensino médio, tornou-se aluno bolsista do Santo Américo. Ganhou também bolsa para estudar inglês, tudo pago pelo Ismart. Mas não esqueceu do Capão Redondo.

    "Fui dar aulas na minha antiga escola aos sábados para alunos que também queriam ganhar esta bolsa de estudos." Ele diz que se inspirou na história de outro jovem aluno de escola pública, Marco Antônio Pedroso, que foi aceito para estudar no Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT) e criou um projeto para ajudar alunos carentes de Santa Isabel (SP) a obterem bom desempenho em olimpíadas de conhecimento.

    Fonte: G1

     

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