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  • 23 Out 2014
    História do Brasil: Cangaço

    História do Brasil: Cangaço

    Era pelo chão quente do Sertão nordestino que diversos grupos de homens fortemente armados saqueavam fazendas e atacavam comboios entre o fim do século 19 e início do século 20. Andando sempre em bandos, os cangaceiros desafiavam os poderosos da região. O professor de história do Brasil Paulo Chaves conta como agiam esses sertanejos e as suas histórias de lutas na reportagem exibida nesta quinta-feira (23) pelo Projeto Educação.

    O Nordeste passava por um processo de empobrecimento, quando poderosos latifundiários, conhecidos como coronéis, controlovam a vida de populações inteiras. "Os primeiros grupos de cangaceiros foram formados por indivíduos que, muitas vezes, motivados por questões de honra, queriam vingar a morte de parentes e amigos por jagunços, homens armados que trabalhavam para os coronéis", explica o professor.

    Por sempre estarem fugindo após os ataques e saques, os cangaceiros viviam de maneira nômade. "É por isso mesmo que o habitat desses indivíduos era a caatinga. Ali, eles encontravam condições geográficas excepcionais para fugirem das volantes de soldados que eram por eles chamados de macacos", detalha Paulo Chaves.
    Dentre os vários nomes conhecidos na história do cangaço, o de Lampião se destaca. "Nascido em Vila Bela, hoje Serra Talhada, era filho de Antônio Ferreira, que deixou Quebrangulo, em Alagoas, para se instalar com a família no interior de Pernambuco. Então, para vingar a morte do pai, Virgulino Ferreira entra na vida do cangaço", conta. De acordo com o docente, o bando de Lampião nuca foi o mais numeroso. "Nunca passou de 50 cabras, mas, rapidamente, ele se destaca pela astúcia e pela violência", ressalta.

    Foi o Rei do Cangaço quem criou um jeito característico de vestir os cangaceiros. Foi ele que adotou, pela primeira vez, roupas na cor cáqui, que serviam como uma camuflagem natural dentro da caatinga. "Segundo o professor Frederico Pernambucano de Melo, na sua obra 'Estrela de couro - a estética do cangaço', esses indivíduos chegavam a transportar cerca de 30 quilos entre o gibão, o fuzil, o chapéu de couro, o cantil, as mochilas. Isso só é comparável com as couraças dos samurais japoneses ou então as armaduras dos cavaleiros medievais", acrescenta.

    As mulheres também fizeram parte do movimento de forma ativa. Ao lado dos homens nos combates, elas possuíam um comportamento tão violento quanto o deles. "Observamos que elas também portam fuzis e punhais. Maria Bonita é a primeira mulher a participar de um bando de cangaço. Além dela, também destacamos a figura de Dadá, a esposa de Corisco, conhecido na vida do cangaço como o Diabo Louro", conta Paulo Chaves.
    Ainde segundo o professor, há duas interpretações sobre o cangaço. Para alguns estudiosos, os cangaceiros, por enfrentarem poderosas oligarquias, eram vistos como heróis. "De fato, muitas vezes esses cangaceiros saqueavam ricos fazendeiros e distribuíam parte desses saques com as populações menos favorecidas. Para outros estudiosos sobre o movimento, trata-se apenas de um banditismo, ou seja, um grupo de violentos assassinos, saqueadores e bandoleiros", afirma.

    Diferentemente do final feliz para os cangaceiros na novela "Cordel Encantado", exibida pela TV Globo, o destino dos reais cangaceiros não foi dos melhores. "Lampião, Maria Bonita e mais nove dos seus cangaceiros foram mortos em uma emboscada ocorrida na fazenda de Angicos, no interior de Sergipe, em julho de 1938. Só que o cangaço tem o seu ciclo encerrado com a morte de Corisco, em maio de 1940", conclui o professor.

    Fonte: G1

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